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segunda-feira, 30 de maio de 2016 Entrevistas | 20:59

Kamau e DJ Nyack explicam relação com os discos de vinil

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É inegável que a cultura dos discos de vinil teve uma grande retomada de fôlego nos últimos anos, mas para muita gente ela nunca saiu de moda. Para músicos, como o rapper Kamau e o DJ Nyack, os LPs sempre fizeram parte de suas vidas – mesmo depois do surgimento de iPod, MP3 e streaming.

Kamau

Para quem trabalha com rap, a relação com os discos de vinil é ainda mais especial. Além de terem crescido ouvindo os bolachões, Kamau e Nyack começaram na música usando LPs como base para suas músicas e samplers. “Comecei ouvindo os discos do meu pai e lembro que o primeiro que comprei foi uma trilha sonora de novela”, relembrou o rapper em entrevista ao iG. Os dois artistas participaram do Pulso, projeto que rolou na Red Bull Station, em São Paulo, em abril.

Os discos de vinil acompanharam toda a carreira de Kamau e Nyack, mas só voltaram à moda nos últimos anos. Porém o cantor não acha que a cultura chegou a sair de moda. “Quem ouvia nunca parou. As pessoas começaram a perceber a qualidade do vinil porque muita gente não nasceu em meio a essa cultura como a gente”, explicou. “Tem mais pessoas que não conheciam e que estão conhecendo.”

Para Kamau, o grande trunfo do vinil é a conexão emocional. “Você não tem uma história com os arquivos que baixa. Eu compro vinil toda semana e lembro de histórias com muitos deles”, disse o rapper, acompanhado por Nyack. “Eu gostava de ficar lendo o encarte e analisando a capa dos discos”, disse.Para o DJ, a dificuldade em prensar os discos foi um dos motivos para o desaquecimento do mercado. “Eu me lembro de pouquíssimos álbuns de 1996 pra cá que saíram em vinil. Os que saíram foram promocionais, quem não tem, já era”, contou.

Prós e contras

Mesmo voltando a ganhar força, o mercado de discos de vinil ainda não é muito abrangente no Brasil. Apesar de São Paulo ter excelentes lugares para quem gosta de caçar relíquias, o catálogo disponível no País é ínfimo quando comparado ao dos Estados Unidos ou da Europa. Por isso, quem é adepto dessa cultura tem que dar seu jeito para conseguir tudo o que quer. “Quando eu quero de verdade um disco eu dou um jeito. Compro pela internet, peço pra alguém trazer de fora, alguma coisa assim”, disse Nyack. Já Kamau é mais comedido. “Eu sou muito impulsivo, tenho vontade de sair comprando tudo, por isso nem tenho cartão de crédito”, confessou.

Para tocar, o vinil também é o preferido dos músicos, mas não é tão simples quanto parece. “É muito complicado viajar com os cases. A gente paga excesso de bagagem toda hora”, confessou Nyack. “Às vezes a gente leva um monte de disco para tocar uma hora”, contou Kamau. “Mas tem o lado ruim de tocar com o Serato [software mais utilizados por DJs]: às vezes as pessoas chegam e perguntam se tem tal música, aí você diz que não tem o disco; agora, elas perguntam e já te levam o pen drive”, brincou o rapper.

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