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quinta-feira, 19 de maio de 2016 Agenda | 19:51

Criador do selo RISCO lamenta crise na música brasileira: “A extinção do MinC é uma vergonha e um retrocesso enorme”

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Em meio a um turbilhão de emoções pelo qual quem trabalha com cultura no Brasil está passando nos últimos dias, o selo RISCO encontrou um motivo para celebrar: o lançamento da coletânea inédita “RISCO #001”, que acontece nesta quinta-feira (19) em São Paulo.

capa-risco

Com nomes como O Terno e Charlie e os Marretas em seu catálogo, o selo gerenciado por Guilherme de Jesus Toledo lança seu primeiro disco e, para isso, reuniu novas versões de músicas conhecidas de suas bandas.

“Ter um selo próprio é a realização de um sonho pessoal”, resumiu o empresário sobre sua experiência com o RISCO, criado em 2015. “A possibilidade de investir em artistas em que acreditamos e acompanhar a carreira e o dia-a-dia desses músicos, que passam a fazer parte da nossa família, é o que nos motiva”, contou.

A paixão pela música fala ainda mais alto quando o momento atual do País é levado em conta, uma vez que o setor foi um dos mais atingidos pela crise econômica. “Alguns preços do mercado subiram, enquanto os investimentos estão cada vez mais escassos e direcionados, ou então até sumindo”, afirmou. A crise política também contribui para o caos no setor, ainda mais com o fim do Ministério da Cultura. “A extinção do MinC é uma vergonha e um retrocesso enorme”, definiu.

Veja abaixo a entrevista completa com Guilherme de Jesus Toledo, do selo RISCO:

Faixa1: O que as oito bandas do selo têm em comum? Como elas conversam entre si?
Guilherme de Jesus Toledo: O RISCO é a junção de alguns músicos e produtores que possuem diferentes projetos e atuações. Atualmente são 10 bandas, umas 30 pessoas que permeiam diversos projetos das mais variadas formas, seja compondo, tocando, produzindo, planejando, acompanhando. O Gabriel Basile, por exemplo, é baterista d’ O Terno, do Grand Bazaar, do Noite Torta, do Memórias, toca percussão nos Marretas, e ainda de quebra vai numas gravações da Luiza Lian dar uns pitacos nas músicas. Nosso mais novo artista do casting é o Música de Selvagem, um projeto de um parceiro nosso, Arthur Decloedt, no qual o Filipe Nader saxofonista dos Marretas também toca. Enfim, é uma salada com ótimos ingredientes, que dependendo da mistura que eles criam, gera um delicioso resultado.

Faixa1: O que representa para você ter um selo próprio?
Guilherme de Jesus Toledo: Ter um selo próprio é a realização de um sonho pessoal. A possibilidade de investir em artistas em que acreditamos e acompanhar a carreira e o dia a dia desses músicos, que passam a fazer parte da nossa família, é o que nos motiva. Num mercado cada vez mais mutante e sem um “caminho das pedras”, acho cada vez mais importante iniciativas de selos que movimentam cenas, públicos, festivais e casas pelo Brasil todo, e acima de tudo, estão investindo e apoiando artistas num mercado completamente louco, rápido e informal.

Faixa1: Quais são as dificuldades de manter um projeto como esse?
Guilherme de Jesus Toledo: Ter um selo de música hoje em dia é uma tarefa bastante desafiadora. Os modelos desse novo mercado da música mudam a todo momento, e o que vemos é um mercado diariamente mutante. Só não pode ficar parado esperando, porque se não já foi, passou, perdeu. A dificuldade está em achar o ponto de equilíbrio com cada um dos artistas, e entender que cada banda é um universo completamente diferente, o que resulta em demandas e expectativas diferentes. Acredito que cada vez mais as iniciativas feitas com verdade, imersão, cuidado, calma, estratégia, carinho e dedicação terão seus espaços e público. Assim como já acontece. Aliás, hoje se produz muita coisa boa no Brasil, muita mesmo, que eu nem fico sabendo, mas já tem uma galera pirando! Inclusive atualmente no mercado de música independente a oferta de música boa é bem maior que a demanda do público e dos espaços. Ou seja, todos nós agentes da música ainda temos muito a construir em formação de público, aí sim teremos um real mercado independente e sustentável.

Faixa1: Como a crise econômica afetou a música?
Guilherme de Jesus Toledo: A crise que vivemos afeta o povo como um todo, e claro, estamos nessa também. Alguns preços do mercado subiram, enquanto os investimentos estão cada vez mais escassos e direcionados, ou então até sumindo. A extinção do MinC é uma vergonha e um retrocesso enorme, que só exemplifica o caminho errôneo desses sujeitos que assaltaram nossa democracia. O que mais me preocupa é a crise política e de valores que o Brasil atravessa, e os resultados que isso nos traz como sociedade. Uma coisa boa isso tudo já está criando: uma nova geração de jovens mais abertos, justos, participativos, mais ativos. E finalmente nós brasileiros estamos entendo o valor do cidadão político, que existe a todo momento nosso em sociedade, e não apenas no “dia da eleição”. As pessoas precisam sair do seus algoritmos e enxergar o país em que vivem.

Lançamento do RISCO #01
19 de maio – quinta-feira, às 20h30
entrada gratuita (retirar convite no local com uma hora de antecedência)
Centro Cultural São Paulo / Sala Adorniran Barbosa (r. Vergueiro, 1000)

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Marcos Aurélio Torres 24/05/2016 2:01

    Excelente e esclarecedora entrevista. Num momento complicado como este que estamos passando politicamente, fico fascinado, acompanhando a grandeza destes talentos jovens superando as dificuldades pelo amor a arte que praticam, entretanto, indignado em ver que uma cultura tão essencial aos novos tempos, ainda se encontre tão distante das mídias influentes que poderiam estar enaltecendo esse imenso valor musical e cultural brasileiro.

    Sucesso e muitas conquistas para o Risco!

    Responder
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