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quarta-feira, 14 de junho de 2017 Agenda, Entrevistas, Festivais | 18:27

Craca e Dani Nega estreiam no Vento Festival, em São Sebastião

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A terceira edição do Vento Festival começa nesta quinta-feira (15), em São Sebastião, no litoral de São Paulo. Além da cidade nova, o evento terá uma outra estreia: a do duo Craca e Dani Nega, que tocarão pela primeira vez no festival.

Crédito: Nadja Kouchi

Crédito: Nadja Kouchi

“Não conhecia o festival, mas sempre me falaram muito bem. Sempre falam que é um festival muito querido, legal e interessante. Estou ansiosa para essa troca”, afirmou Dani Nega em entrevista ao Faixa1. “Assim como o RecBeat, tem uma curadoria muito interessante de artistas independentes e alternativos, me interessa bastante”, continuou.

Uma das coisas que a artista quer mais ver em São Sebastião é a troca com o público. “A gente sempre vai achando que o público não está aberto para escutar um som novo, mas é o contrário, o público é sempre receptivo”, explicou. “Estou muito feliz, os artistas que vão participar são incríveis”, destacou.

Neste ano, o Vento terá a empatia como um dos temas. Para Dani, é importante um festival falar sobre esses assuntos e trazer artistas alinhados a esse pensamento. “É muito importante. Principalmente pra gente que tem um discurso um pouco afiado e que incomoda algumas pessoas. Certamente que nesses tempos sombrios nós somos boicotados em alguns lugares”, disse. “Esses festivais que dão espaços pra artistas como nós, eu considero como espaços de resistência e de muita importância”, continuou a cantora.

No Vento, Craca e Dani Nega vão mostrar o álbum “Craca, Dani Nega e o Dispositivo Tralha”, de 2016. “Como o disco é muito discursivo, ele tende a mudar constantemente. O discurso não tem como permanecer intacto com todas essas informações e levantes que vem acontecendo no nosso País”, afirmou Dani sobre sua relação com o disco hoje. “É tudo tão confuso e caótico que acaba interferindo no que a gente pensa e no que a gente diz. Cada show é uma surpresa nova pra gente. Então é um trabalho que estará sempre amadurecendo é sempre em mudanças.”

A sequência do disco já está nos planos. “Estamos começando a gravar um novo disco que tem uma pegada mais soul”, antecipou a cantora. “Não sei se já fica pronto pro segundo semestre. Mas estaremos trabalhando nele”, garantiu.

Craca e Dani Nega são atração do segundo dia de Vento, nesta sexta-feira (16). O evento é gratuito e acontece de quinta (15) a domingo (18) em São Sebastião.

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segunda-feira, 12 de junho de 2017 Festivais | 15:24

Aphex Twin e Justice brilham no NOS Primavera Sound, em Portugal

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Por Marcela Lorenzetti, do Porto

Com mais uma edição, o NOS Primavera Sound 2017 veio com tudo com um line-up que agradou aos amantes de qualquer gênero musical. O festival tomou conta do Porto, em Portugal, entre os dias 8 e 10 de junho, com festas no centro da cidade, além dos shows no Parque da Cidade.

Crédito: Marcela Lorenzetti

Crédito: Marcela Lorenzetti

Confesso que fiquei reticente quando cheguei ao parque da cidade, foram quatro palcos, sendo dois “principais” (Nos Stage e Super Bock Stage) que são localizados bem próximos um do outro, e os outros dois que são mais afastados (Pitchfork Stage e Palco.) mas que não deixaram e desejar, sendo chão de shows como Death Grips e Tycho. O festival também ofereceu uma vasta opção de food trucks com todos os tipos de comida (inclusive brasileira!), espaços de descanso e (não tantos) stands de patrocinadores que ofereciam brindes pra galera.

DIA 1

No fim de tarde de quinta-feira (8), o português Samuel Úria, abriu o festival no palco Super Bock, e tenho que dizer que fiquei surpresa, a edição portuguesa do festival oferece uma acústica incrível e não desaponta nenhum fã que queira ficar no gargarejo de sua banda favorita. Ainda no dia 8, com apenas os dois palcos principais em funcionamento, Cigarettes After Sex se apresentou no palco principal, trazendo um momento melancólico para o público. Mais tarde, foi a vez de Miguel. O americano trouxe a sensualidade em forma de pop para o festival, sendo o primeiro show que levantou a galera para o que estava por vir, cantando hits como “Sure Thing” e “Adorn” ao pôr-do-sol no parque da cidade. Run The Jewels se apresentou no mesmo palco mais tarde e tenho que dizer que a reação do público me surpreendeu. Killer Mike e El-P interagiram com o pessoal e agitaram todo mundo, fazendo piadas no palco, criticando políticos ao som de “Lie, Cheat, Meow” e dançando muito!

Mais tarde, Flying Lotus se apresentou no Super Bock Stage com uma performance inesquecível, porém Justice foi quem fechou o primeiro dia do festival. Durante o show do Flying Lotus, a dupla eletrônica foi curtir o festival e passou despercebida por todo mundo (com a excessão de alguns fãs que pediram foto). Tenho que dizer que isso é um grande diferencial dos festivais que fui no Brasil, o público do Primavera Sound é bem receptivo aos artistas, e não piram toda vez que eles saem do backstage para o festival, tornando uma oportunidade incrível de assistir shows ao lado de artistas incríveis. Gaspard e Xavier fecharam o primeiro dia com um show que pode apenas ser descrito como inesquecível. O setting do palco, com um show de luzes incrível e muuuuitas caixas de som, combinados com a acústica do Parque e a energia de festival, tornaram essa noite especial e inexplicável. O duo fez um show baseado na música “Love SOS” e junto com ela ouvimos outras músicas do novo álbum “Woman”, como “Safe and Sound”,”Pleasure” “Chorus” e “Alakazam!” bem como músicas mais antigas como a clássica “D.A.N.C.E”, mas sempre com uma pegada de “Love SOS”. Simplesmente arrepiante.

Crédito: Marcela Lorenzetti

Crédito: Marcela Lorenzetti

DIA 2

Depois do primeiro dia de festival com tantos shows inesquecíveis, não pensei que o festival poderia me surpreender mais. O primeiro show que me surpreendeu foi dos meninos do Pond. Nick Allbrook (ex-baixista do Tame Impala) com toda sua esquisitice tomou o palco no segundo dia, abrindo com “30000 megatons” e seguindo com outras músicas do álbum mais recente “The Weather”, como “Sweep Me Off My Feet” e “Paint Me Silver”. O ponto alto do show foi com certeza “Waiting Around For Grace” do álbum “Man It Feels Like Dpace Again”, trazendo um toque psicodélico que o festival precisava. Depois do show, a galera do Pond foi para o backstage assistir Whitney no palco ao lado, e um pouco antes de Angel Olsen, Nick deu uma saidinha e consegui falar com ele por alguns poucos segundos, muito simpático ainda aceitou tirar foto comigo e agradeceu o suporte, mas voltou rapidamente para o backstage pois queria assistir ao show de Angel Olsen.

O destaque do segundo dia foi o grande Bon Iver, que apresentou músicas mais recentes e trouxe ao festival o toque romântico com a performance de “Skinny Love” no final do show, e deixou o pessoal querendo mais. No palco ao lado, foi a vez de Skepta agitar a galera, e fiquei impressionada de ver um público tão diversificado pulando tanto em um show, algo comparável apenas ao show do Run The Jewels no dia anterior e, mais tarde, no dia 10, ao show do Death Grips.

Nicolas Jaar tomou o palco principal no começo da madrugada com toda sua genialidade e experimentalidade da música eletrônica ambiente, deixando o público maravilhado e uma vibe melancólica no ar. Eu diria que o segundo dia de festival foi provavelmente o menos agitado, mesmo esgotado, o público não estava tão animado quanto no primeiro dia.

Crédito: Marcela Lorenzetti

Crédito: Marcela Lorenzetti

DIA 3

As bandas The Growlers, Sampha, Death Grips, Metronomy, Aphex Twin e Tycho tiveram maior destaque no último dia de festival. Brooks Nielsen com sua voz rouca e toda sua presença de palco fez o público pular e cantar singles como “I’ll Be Around” e “City Club”, descendo do palco e jogando sua jaqueta para o pessoal que estava perto do palco. Mais tarde, foi a vez de Death Grips causar tumulto no palco. O grupo californiano de hip hop fez um dos shows mais animados do festival. Um dos diferenciais do Primavera Sound é a diversidade do público, e foi de tirar o fôlego (literalmente!) assistir MC Ride agitando o pessoal; com direito a mosh pits na frente da grade e muitos gritos e pulos dos fãs. Enquanto isso, no palco principal, Metronomy se apresentava e mais tarde no mesmo palco foi a vez do show mais esperado da noite (e talvez do festival todo), Aphex Twin.

Richard D James entrou no palco antes do show começar, causando alvoroço na plateia momentos antes da grande performance. Acho válido destacar que esse show só pode ser descrito como uma experiência única na vida. O setlist de Aphex Twin fez jus ao futurístico esquizofrênico delirante com o palco montado cheio de telas que passaram os rostos dos fãs filmados durante a noite na frente do palco. Sempre com o toque amedrontador e alucinado, Richard fez o chão do festival tremer durante duas horas, os raios de luz verde formavam uma espécie de telhado sobre o público do festival que tentava entender o que estava se passando ali, com certeza um momento memorável na vida de todos ali presentes. Mais tarde, enquanto o público se dissipava para assistir outros artistas como Tycho, que se apresentou no Pitchfork Stage com direito ao melhor da música ambiente, fãs de Aphex Twin esperavam na grade com esperança de que o artista desceria para fotos e autógrafos. Depois de 20 minutos ajudando a desmontar o palco, Richard desceu e foi falar um pouco com o pessoal, tirou fotos e deu autógrafos pra todo mundo que ali aguardava. Tenho que dizer que foi um dos melhores momentos da minha vida, nunca pensei que um artista de grande importância no cenário musical eletrônico, que influenciou tantos outros, fosse uma pessoa tão simpática e humilde com seus fãs. Além do mais, acho que todo mundo ficou meio surpreso, estávamos todos tão nervosos que nem conseguíamos falar direito com ele, e depois de fumar um ali conosco, Richard se despediu. Como se não bastasse os outros maravilhosos shows e eventos daqueles últimos 3 dias, tornou aquela noite mais especial ainda.

Marcela Lorenzetti também é dona do projeto “Humans of Porto”, no Instagram.

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